Defesa do Big Blind contra Posições Iniciais (UTG) - Chip EV
- Lucas Cuofano

- 3 de jun.
- 3 min de leitura
Quando jogamos no Big Blind, temos um range amplo de defesa. Em cenários deep stack, buscamos mãos que realizam bem sua equidade, ou seja, mãos que se comportam bem no pós-flop e que podem nos proporcionar a oportunidade de dobrar o stack nos estágios iniciais do torneio.
Dito isso, nosso range de defesa com 100 blinds efetivos contra uma abertura de UTG fica da seguinte forma:


Portanto, vamos defender praticamente toda a porção suited do baralho e grande parte das combinações offsuit até a região dos 7x, com algumas exceções que serão descartadas.
As mãos que entram na faixa de fold são, em geral, aquelas que possuem baixa jogabilidade pós-flop e dificuldade para realizar sua equidade contra o range forte de abertura do adversário.
Já o range de 3-bet é bastante enxuto, representando cerca de 4% das mãos. Utilizamos essa ação principalmente com as mãos mais fortes do baralho, além de algumas combinações que apresentam excelente desempenho como blefes, como os principais conectores suited.
Dessa forma, construímos uma estratégia equilibrada entre defesa, agressão e realização de equidade contra as aberturas de UTG.
50 BIG BLINDS
O range de defesa com 50 blinds muda um pouco.


A primeira mudança que observamos é a redução da frequência de folds, cerca de 4% menor em comparação ao cenário de 100 blinds. Isso significa que passamos a defender mais mãos.
Lembre-se: quanto menor é o nosso stack efetivo, maior tende a ser o incentivo para defender o Big Blind, já que precisamos de menos equidade para continuar na mão e temos mais facilidade para realizar essa equidade ao longo da mão.
Por conta disso, uma parte maior das combinações offsuit passa a integrar o range de call. Mãos como K5o e A2o, que eram folds com 100 blinds efetivos, agora se tornam defesas lucrativas.
No range de 3-bet, observamos um padrão bastante semelhante ao de 100 blinds. Continuamos concentrando a agressão pré-flop nas mãos mais fortes do baralho e em algumas combinações selecionadas que apresentam boa performance como blefes.
25 BLINDS


A primeira mudança que observamos é mais uma redução na frequência de folds, desta vez em aproximadamente 5%. Embora a intuição de muitos jogadores sugira que devemos dar menos calls à medida que ficamos mais short, na prática ocorre o oposto: quanto menor o stack efetivo, maior tende a ser nossa frequência de defesa no Big Blind.
Outra mudança importante é o desaparecimento do range de 3-bet tradicional. Nesse ponto, a estratégia passa a concentrar a agressão nas mãos mais fortes, enquanto algumas combinações offsuit começam a ganhar espaço.
Mas por que isso acontece?
A resposta está no efeito dos blockers. Conforme os stacks diminuem, a capacidade de bloquear mãos fortes do adversário se torna cada vez mais relevante. Além disso, o valor de vencer o pote ainda no pré-flop aumenta significativamente, reduzindo a importância da jogabilidade pós-flop. Em outras palavras, com stacks mais curtos, puxar o pote pré-flop passa a ser mais valioso do que desenvolver a mão nas streets seguintes.
Por conta disso, a estratégia se torna naturalmente mais agressiva.
Também começamos a observar o surgimento de um range de all-in direto. Esse movimento é bastante natural nessa profundidade de stack, com mãos como pares médios e AKo passando a utilizar o shove como ação preferencial em diversas situações.
Se você chegou até aqui, provavelmente tem a mentalidade do novo laboratório do poker.
Nossa ideia é desenvolver jogadores através de conteúdo de qualidade e de uma visão voltada para o longo prazo. E não tenho dúvidas de que você é um desses jogadores.
Recentemente, lançamos nossa primeira coleção de camisetas para quem vive essa mentalidade dentro e fora das mesas.
Deixamos abaixo o link da nossa loja para que você não seja apenas mais um jogador recreativo. Mostre que você leva o jogo a sério.
Use EV+.



Comentários